quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Universidade do RS ajuda no descarte de remédios

É necessário incentivar a sociedade a direcionar seus resíduos médicos de uma maneira ambientalmente viável, evitando riscos à saúde humana e do meio ambiente. A divulgação ainda é pouca em relação aos postos de coleta ou sobre os procedimentos de destino, mas em Porto Alegre (RS) temos um exemplo. a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) recebe medicamentos dentro do prazo de validade e vencidos para destinação correta. O endereço da universidade é rua Ramiro Barcelos, 2500.

Problemas ambientais relacionados ao descarte incorreto de medicamentos são comuns pela falta de informação por parte da população em relação ao destino desses produtos químicos. O impacto ambiental mais comum e prejudicial é o descarte de medicamentos no lixo doméstico ou na rede de esgoto, causando contaminação e poluição, além de possíveis intoxicações.

Existem regulamentações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que prevêm o destino e a reciclagem das drogas. Medicamentos devem ser levados a postos de coleta para que produtos sejam encaminhados corretamente. Produtos dentro do prazo de validade devem ser mantidos intactos para serem doados, enquanto os produtos vencidos são direcionados a aterros sanitários especializados. Com o descarte especial, minimizam-se os efeitos de contaminação de água, infiltração no solo e danos à biodiversidade.

Fonte: Portal O ECO

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

E se o mundo esquentar 4°C?

A Royal Society - academia de ciências do Reino Unido - acaba de publicar o artigo “De quatro graus pra mais: implicações do possível aumento da temperatura global em quatro graus”, escrito por Mark New, Diana Liverman, Heike Schroder e Kevin Anderson.

O estudo avalia os impactos e consequências potenciais para um aquecimento de até 4°C na temperatura terrestre, possibilitando uma visão sobre os desafios globais derivados de mudanças sistemáticas no planeta. É também uma pesquisa que acompanha as previsões mundiais relativas às mudanças climáticas, antes previstas para um aquecimento de até 2 graus (já considerada extremamente limítrofe em relação aos impactos) e que agora geram preocupação pela possibilidade de serem superiores, um aumento de 3 a 4 graus ainda neste século.

Os autores indicam que os impactos na agricultura, nos recursos hídricos, ecossistemas e cidades costeiras será ainda maior com um aumento de 4°C em relação ao previsto para dois graus abaixo disso. Um exemplo é a agricultura na África sub-sahariana, que pode colapsar de acordo com as previsões.

A pesquisa reitera a necessidade de redução das emissões de gases estufas, além de desafios sociais econômicos e comportamentais ainda neste século para que tais previsões não se concretizem. Enfocam também a importância do conhecimento sobre o sistema climático e as possíveis mudanças estruturais que este sofrerá com as constantes pressões humanas no meio ambiente.

Fonte: The Royal Society - 4°C/ Portal O ECO

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Desmatamento da Mata Atlântica continua critico


Na última quarta-feira (01), o Ministério do Meio Ambiente (MMA) divulgou um mapeamento liderado pelo Ibama com os números finais do corte raso de árvores na Mata Atlântica entre 2002 e 2008. Ao todo, um dos biomas mais biodiversos e ameaçados do planeta perdeu 2.742 quilômetros quadrados de floresta nativa, algo assustador para uma região que detém apenas cerca de 7% de sua cobertura original. O susto é ainda maior porque, em 2006, a Lei da Mata Atlântica foi assinada para impedir qualquer desmatamento, com raríssimas exceções.

De acordo com a análise, até 2002, 75,62% do bioma haviam sido desmatados. Esta taxa aumentou para 75,88% seis anos depois. Entre os estados que mais limparam as áreas verdes para outras atividades econômicas estão Minas Gerais, Paraná e Bahia. Respectivamente, eles literalmente cortaram 0,38%, 0,29% e 0,39% da floresta.

“Embora seja a menor taxa em relação aos outros biomas, a Mata Atlântica foi muito devastada historicamente. Portanto, há situações preocupantes. Minas Gerais, por exemplo, foi o estado que liderou o ranking. O levantamento em questão avalia o corte raso, mas não qual prática foi adotada naquele solo depois. Porém, segundo informações de campo do próprio Ibama e também da SOS Mata Atlântica e INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), os principais problemas são a agropecuária e a exploração de carvão vegetal”, avalia Bráulio Dias, Secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA.

O estudo, vale lembrar, não envolve as florestas deciduais e semi-deciduais do Cerrado e da Caatinga, consideradas pertencentes ao bioma, diferente dos mapas elaborados pela SOS Mata Atlântica em parceria com o INPE. Dias, no entanto, afirma que o diagnóstico respeitou os perímetros adotados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Segundo ele, a expectativa é que o desmatamento nesta floresta chegue próximo de zero. Um dos trabalhos atuais é uma negociação do Ministério da Fazenda para regulamentar o Fundo de Restauração da Mata Atlântica, o que deve acontecer até o início de 2011.

Fonte: Portal O ECO

domingo, 5 de dezembro de 2010

Impunidade e crimes ambientais se multiplicam no cerrado piauiens

Distante dos olhos da sociedade e autoridades as riquezas naturais disponibilizadas no Sul do Piauí são saqueadas gradativamente por bandidos que posam de empresários.

Com o objetivo de realizar uma reportagem sobre a devastação na região dos municípios de Curimatá, Morro Cabeça no Tempo, Júlio Borges, Avelino Lopes e Parnaguá, nossa equipe desembarcou em Curimatá, a 775 quilômetros de Teresina, na semana passada, e logo sentiu que o trabalho não seria fácil. A cidade vive um clima de terror e não se consegue arrancar um depoimento oficial. O curioso é que em off os moradores costumam desabafar e narram um rosário de crimes que ocorrem no cotidiano do município.

O medo da população se deve à impunidade que reina na cidade que, para começar, elegeu um prefeito, José Arlindo, conhecido por Zezinho do Tomate, tido como criminoso, já que é acusado de ser assaltante de cargas, de bancos e de assassinatos. Foi cassado recentemente, mas voltou ao cargo, graças a uma liminar expedida pelo o desembargador José Ribamar Oliveira.

Durante o pouco tempo que passamos na cidade ouvimos histórias que lembram episódios de filmes de faroeste, em que bandidos dominam cidades inteiras com a força da bala. “Ele disse outro dia que já teve vontade de pegar o revólver e sair pela cidade atirando nas pernas de quem encontrasse”, deixou escapar um dos moradores. Não demorou muito e ouvimos histórias que vão desde ameaças, desvio de verbas, grilagens de terras públicas, pistolagens e de assaltos a bancos envolvendo, além do próprio prefeito, um ex-juiz da cidade, políticos e bandidos perigosos foragidos da Justiça brasileira.

Como nosso maior objetivo era apurar denúncias de crimes ambientais, e até porque não encontramos nenhum morador que se responsabilizasse pelas informações prestadas, seguimos viagem em busca de observar as riquezas naturais disponibilizadas na região, como calcário e outros minérios, além da mata virgem. A conclusão que se tem é que os crimes ambientais estão sem controle na região.
Forasteiros dominam os crimes ambientais

Por todos os lados se multiplicam as carvoarias, extração de madeira, principalmente aroeira, e caça predatória. Os habitantes de Morro Cabeça no Tempo consideram que ali é onde existe o maior número de fornos (em torno 600). A maioria não sabe quem são os donos do negócio, dizem que geralmente são baianos, pernambucanos e de estados do Sul e Sudeste do Brasil.

O medo de falar no assunto é visível em cada rosto, sequer querem indicar ou acompanhar uma visita na região das carvoarias. O temor é maior porque asseguram que a maioria dos homens que trabalham na manipulação do carvão são elementos foragidos da Justiça, trazidos pelos denominados “gatos”, responsáveis pela produção nas carvoarias e completamente desconhecidos da população. Segundo os moradores, esses homens passam em média três meses manipulando fornos e carregando carretas.

Segundo os relatos, o trabalho é desumano, pois são submetidos à exaustiva jornada de trabalho expostos ao sol, fumaça e fuligem gerados pelo carvão, não utilizam equipamentos de proteção individual tampouco têm direito a alojamentos descentes, água potável e alimentação adequada. Contaram também que tudo que ganham gostam em cachaça e mulher, e que a situação tem levado à prostituição infanto-juvenil na região. Além do que, uma vez embriagados, costumam arrumar confusões e alguns chegam até a serem presos.

Entretanto, muitos desses trabalhadores são pais de famílias honestos da região que se submetem ao trabalho análogo porque não existe nenhum tipo de programa de governo que facilite a produção na agricultura familiar, por exemplo, ou mesmo incentivo à exploração sustentável das potencialidades das florestas ainda disponíveis.

Devido à jornada intensa de trabalho os camponeses da região geralmente abandonam antes de três meses devido à exaustão do serviço que consiste em, por exemplo, carregar uma carreta de carvão manualmente utilizando pás, jacás e subindo uma escada para alcançar a caçamba.

Quem mexe com os fornos o sofrimento é inimaginável. A alta temperatura a que são expostos os trabalhadores, aliada à falta de equipamentos de proteção individual e a jornada de trabalho acima do permitido, já que os fornos são acesos vinte e quatro hora, chega a enlouquecer muitos desses homens que muitas vezes abandonam o serviço doentes e sem receber os direitos trabalhistas.

Na tentativa de flagrar a situação in loco conseguimos entrar clandestinamente em algumas carvoarias em Morro Cabeça no Tempo e Curimatá. O fato de ser domingo facilitou nosso trabalho, entretanto não encontramos muitos trabalhadores. Estava havendo festejo em Morro Cabeça no Tempo e a maioria dos carvoeiros conseguiu folga para se divertir.

Mata destruída por ganância

Depois de uma trégua que durou menos de seis meses, a explosão de carvoarias no Sul do Estado voltou a preocupar a população dos municípios envolvidos que diariamente presenciam mais de 20 caminhões circulando pelas estradas da região, transportando carvão para as siderúrgicas do Maranhão e Minas Gerais. “Um motorista já me disse que leva o carvão para a Simasa, no Maranhão”, disse um trabalhador que encontramos no posto de gasolina em Curimatá, onde havia seis carretas carregadas de carvão, estacionadas na última quinta-feira.

Adentrando nas estradas vicinais que vão dar nas carvoarias é possível ver um pouco o quanto de mata nativa o Piauí já perdeu para a indústria do carvão, que geralmente beneficia a um só homem e ainda por cima conquista a terra usando de má-fé, já que todas as terras da região são comprovadamente públicas. Na Serra Negra, por exemplo, contam os moradores do município de Morro Cabeça no Tempo, onde milhares de hectares de Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica são devorados diariamente por fornos que aumentam a cada dia, um homem conhecido por Chico Guanambi e vice-prefeito do município se aliou a outro conhecido por Zé Maria e a empresa JB Carbon e arrendaram de Antônio Francisco Rego Neto a propriedade Caboclo, somente para produzir carvão. “Eles têm autorização para funcionar”, diz um carvoeiro.

A circulação das centenas de carretas na região é outro motivo de preocupação dos moradores. Uma senhora, que apesar da reclamação ser legítima pediu para não ser identificada por temer os “poderosos”, como chamam os empresários do carvão, disse que é mãe de duas crianças menores de oito anos e dois adolescentes de 17 e 19 anos. Segunda ela, o filho mais velho já foi fechado por uma carreta carregada de carvão e teve que sair da pista e entrar no mato para evitar uma tragédia. Contou ainda que recentemente uma das carretas tombou devido ao peso e teve a carga saqueada pela população.

O tráfego de madeira é outra realidade no Cerrado piauiense. Um dos municípios que mais sofrem com o roubo é Júlio Borges, seguido de Morro Cabeça no Tempo. Enquanto seguíamos para conhecer uma das paisagens deslumbrantes da Serra Vermelha, após o povoado Desejado, nos deparamos com uma trilha clandestina e que, segundo moradores da região, vez por outra trafegam caminhões carregados de aroeiras que são retiradas da mata e seguem por trilhas até a Bahia. Contaram ainda que os traficantes são desconhecidos, provavelmente baianos, que encontram facilidades para roubar no Piauí.

Os crimes verificados por nossa reportagem, infelizmente não são combatidos, e se depender do Ibama do Piauí, nunca serão. Não por incompetência ou má-vontade, mas porque não existem fiscais que possam dar conta da região. De acordo com o chefe do escritório do Ibama em Corrente, Augusto Elias, o órgão dispõe apenas de dois fiscais para cobrir os 19 municípios do Sul do Estado. “Como vamos dar conta de cobrir toda a área”, se pergunta Augusto, que mesmo assim não fica de mãos atadas e conta que recentemente conseguiu apreender uma carrada de aroeira. Outro problema, segundo o chefe do Ibama, são as autorizações de desmate que conseguem do Estado e que geralmente extrapolam além do permitido, mas para todos os efeitos estão trabalhando conforme determina a lei.

Fonte: Tribuna do Piauí Online

sábado, 4 de dezembro de 2010

Poluição: aguapés reaparecem no rio Poti

Indicadores de altos índices de poluição, os aguapés ressurgem agora no mês de dezembro no rio Poti. As algas não se formavam no rio desde 2008, apontando que a poluição havia diminuído consideravelmente. Mas a cena que vemos hoje, com aguapés se multiplicando nas águas do Poti, mostra que a quantidade de material orgânico jogado diretamente no rio continua sendo uma grande ameaça para o meio ambiente.


Há três anos, foi assinado o Termo de Ajuste de Conduta (TAC), provocado pelo Ministério Público Federal (MPF), que tinha como objetivo diminuir a poluição no Poti. O TAC foi assinado pelo Ibama, Prefeitura de Tereisna e Agespisa.

A partir do TAC, algumas estratégias foram organizadas como tentativa de diminuir o desemboque de material orgânico no rio. Foram identificados os grandes usuários de água (comércios, postos de gasolina, oficinas mecânicas, condomínios, hospitais, clínicas, dentre outros) não ligados à rede de esgoto e que possuíam ligações clandestinas com as galerias que terminam no Poti.


Outra medida, tomada pela Agespisa, foi financiar os custos da ligação de casas com a rede de esgoto, evitando assim que a água da pia e do ralo do banheiro fosse jogada diretamente na sarjeta e, em seguida, no rio. Também foi lançada a campanha “Não jogue óleo no ralo”, em 17 de abril de 2008. O óleo é uma das principais causas da poluição dos rios. As medidas tiveram sucesso, tendo evitado por meses o reaparecimento de aguapés no Poti.


Para saber mais sobre a situação atual do rio, a reportagem de O DIA entrou em contato com a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semar), responsável pelo monitoramento do rio. A Secretaria informou que tem dados atualizados sobre a qualidade da água e sobre a problemática dos aguapés, mas só poderá repassá-los à reportagem nos próximos dias.


Fonte: Portal O DIA Online

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Curitiba é escolhida a cidade mais verde da AL

A cidade de Curitiba, capital do Paraná, obteve neste domingo (21) a distinção de metrópole mais verde entre outras 17 da América Latina, segundo um estudo sobre meio ambienteapresentado pela empresa alemã Siemens à revista britânica "The Economist".

No marco da Cúpula Climática Mundial de Prefeitos (CCLIMA), realizada no México, se apresentou pela primeira vez o Green City Index (GCI) da América Latina, classificando Curitiba, com 1,7 milhão de habitantes, como a única cidade "muito acima" da média quanto a normas ambientais.

Seguida dela, no segundo dos cinco níveis, ficaram outro grupo de cidades como Bogotá, capital da Colômbia; e Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.

Resultados "aceitáveis" na classificação foram obtidos pela colombiana Medellín, Cidade do México, Puebla e Monterrey, Porto Alegre, Quito e Santiago do Chile, colocadas no terceiro nível.

"Abaixo da média", o quarto nível em termos ambientais, ficaram Buenos Aires e Montevidéu, enquanto a mexicana Guadalajara e Lima, capital do Peru, estiveram um nível mais abaixo, "muito abaixo" da média, no nível mais baixo.

O novo índice considerou as variáveis de eficiência energética e emissões de dióxido de carbono (CO2), uso do solo e edifícios, tráfego, resíduos, água, situação das águas residuais, qualidade do ar e agenda meio ambiental de Governo.

O GCI pretende se transformar em um indicador que ajude a conscientizar as autoridades municipais sobre as necessidades de desenvolver políticas sustentáveis, explicaram os responsáveis pelo estudo.

"A ferramenta permitirá às cidades aprender mais de suas respectivas situações e fomentará a troca sobre estratégias eficazes partindo de uma base objetiva", disse Pedro Miranda, executivo da Siemens e diretor do estudo.

Segundo Leo Abruzzese, diretor global da Unidade de Inteligência de "The Economist", "o estudo demonstra que as cidades que seguem uma colocação integral alcançam resultados muito notáveis".

A metodologia do GCI foi empregada pela primeira vez com cidades europeias há um ano em outro estudo apresentado pela Siemens e "The Economist" com o apoio da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o Banco Mundial (BM).

Aquela vez se tornou público o resultado em Copenhague dentro da 15ª Conferência das Partes da ONU sobre a Mudança Climática realizada em dezembro de 2009.

Fonte: Tribuna do Piaui On line

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O paradoxo do IPHAN

Não faz muito tempo, o presidente do IPHAN baixou uma portaria, com base no Decreto lei 25/37, autorizando a cobrar multas dos proprietários privados e públicos que não conservassem devidamente seus imóveis tombados. Trata-se de necessidade do poder de polícia, é óbvio, mas de constitucionalidade duvidosa. Nunca o IPHAN se outorgou este poder em mais de 70 anos.

O IPHAN é no fundo uma agência reguladora. Como tal, o exercício do poder de polícia, inclusive o de fazer incidir ônus patrimoniais tem que vir de delegação expressa do Congresso no estado de direito democrático.

Vejam agora a situação em que o próprio IPHAN está em vias de se colocar. Em 2007 foi extinta a Rede Ferroviária Federal. Linhas foram privatizadas, mas centenas de imóveis não operacionais, isto é, que não servem para sua destinação, como pátios, estações, monumentos, plataformas, não o foram. Ao contrário, foram transferidos à União, seu novo proprietário.

O que significa esta transferência? Significa basicamente o ônus de manter, conservar, fiscalizar, guardar, pagar impostos, taxas, tarifas, impedir invasões. Agora a União quer ceder estes imóveis ao IPHAN. Ou seja, transferiu-se na verdade não somente imóveis não operacionais, mas sobretudo imensas despesas, gastos. É muito mais uma transferência orçamentária e de responsabilidades administrativas do que qualquer outra.

É bem verdade que alguns destes imóveis não operacionais têm algum valor histórico ou arquitetônico. Um valor talvez no máximo de âmbito estadual ou municipal. Raríssimos os de âmbito nacional.

Ao transferir todos estes bens ao IPHAN transfere-se um ônus, e não um bônus. Quem será responsável por esta instantânea transferência? O IPHAN e suas superintendências têm recursos humanos, administrativos, e financeiros para assumir esta tarefa? E mais. Ao que consta, o IPHAN é agência reguladora e fiscalizadora e não operadora e responsável pelo patrimônio histórico e arquitetônico da União. Não é esta sua finalidade. Nem sua estrutura. A lei não lhe confere recursos nem poderes para tanto. Uma ou outra exceção foi feita no passado. Mas são exceções. O montante de bens agora transferidos ao IPHAN desvirtua sua natureza legal. O IPHAN será um departamento de gestão do patrimônio da União?

Dois problemas pelo menos se criam. O primeiro é o da responsabilização legal dos dirigentes, caso estes não venham conservar estes imóveis. O Ministério Público já está atento e cobra do IPHAN esta responsabilidade. Para o setor privado o IPHAN pretende instituir multas. E para o administrador público? Para o próprio IPHAN, como fica esta responsabilidade? Este o paradoxo. O IPHAN no fundo está se expondo às multas que ele próprio criou? Ou a responsabilidade de preservação é apenas dos proprietários privados? A preservação não é tarefa igual a todos?

Aliás, desde a Portaria 187/2010, quando o IPHAN se autoconcedeu competência de multar, ao que consta, multa nenhuma foi imposta. Faz sentido. Competência legal duvidosa a ser executada sem pessoal, processos e fiscais de pouco adianta. Alimenta apenas a ilegalidade potencial de todo o sistema de preservação do patrimônio do Brasil.

O IPHAN tentará classificar estes bens e transferi-los a prefeituras e Estados. Ora esta colaboração pode ser dada à União, que dela precisa, mas como consultoria especializada, sem precisar assumir tamanho ônus. Ao assumi-los sem os recursos correspondentes, o IPHAN dificilmente poderá cumprir com sua missão prioritária de que tanto o Brasil precisa. É um potencial desvio de finalidade. Há que melhor refletir.

Fonte: Blog do Noblat. Joaquim Falcão escreve quinzenalmente neste Blog


domingo, 28 de novembro de 2010

Novas regras para gestão de Unidades de Conservação

Duas importantes resoluções que dizem respeito à gestão de unidades de conservação foram aprovadas nesta e na última semana, em Brasília. Na semana passada, a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável aprovou o Projeto de Lei 4573/04, do deputado Sarney Filho (PV/MA), que regulamenta a gestão compartilhada das unidades de conservação ambiental. Além disto, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) aprovou, nesta quinta-feira, em sua 100ª reunião ordinária, a regulamentação dos procedimentos de licenciamento ambiental de empreendimentos que afetem unidades de conservação (UC) ou suas zonas de amortecimento.

Gestão compartilhada de UCs

A cogestão das UCs, que será feita entre o Poder Público e as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips), foi estabelecida pela Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), mas ainda não havia sido regulamentada. De acordo com o relator da comissão, deputado Paes Landim (PTB/PI), a proposta é importante para a preservação da biodiversidade do país.

Segundo ele, a transferência de atribuições para as Oscips permitirá ao governo concentrar-se nas funções estritamente estatais essenciais à gestão das UCs, como a aprovação dos planos de manejo e a formulação de políticas públicas para o setor. Ele disse também que compartilhar a responsabilidade pelas áreas protegidas é uma forma de aproveitar a capacidade técnica de entidades não governamentais ligadas ao meio ambiente.

As Oscips que firmarão parceria com o governo serão escolhidas por processo de seleção pública. As organizações deverão estar de acordo com a legislação vigente e ter como finalidade social a defesa do meio ambiente e a promoção do desenvolvimento sustentável.

De acordo com o projeto, a Oscip parceira poderá administrar completa ou parcialmente os programas previstos no plano de manejo da UC. O modelo de cogestão a ser adotado será definido pelo órgão público responsável, conforme as peculiaridades da área protegida. A Oscip, por sua vez, deverá encaminhar, anualmente, relatórios de suas atividades para análise do órgão ambiental e do conselho deliberativo da unidade de conservação.

Uma emenda ao projeto prevê que a Oscip poderá ser a executora de programas de exploração de produtos, subprodutos e serviços na unidade de conservação. Assim, dependendo das características locais, o órgão ambiental pode decidir se a exploração dos recursos da unidade fica a seu cargo ou da instituição parceira na cogestão.

Outra alteração na proposta original dita que a administração pública deve dar preferência, no processo de seleção, a organizações que representem comunidades tradicionais do entorno das áreas preservadas. A proposta tramita em caráter conclusivo e em regime de prioridade, e ainda será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. O texto já foi aprovado pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público.

Resolução do Conama

O licenciamento ambiental de empreendimentos ou atividades de significativo impacto ambiental no entorno de Unidades de Conservação ou suas zonas de amortecimento foi a principal discussão da 100ª reunião ordinária do Conama, que foi realizada nos dias 24 e 25 de novembro, em Brasília.

O presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Rômulo Mello, autor da proposta de resolução, afirmou que a ideia da aprovação é proporcionar um referencial para o processo de licenciamento, com especial atenção à unidade de conservação, “que não deve ser vista como um passivo ou um problema, mas como um ativo da sociedade”.

De acordo com a nova regra, a zona de amortecimento de UC sem plano de manejo diminuiu de 10 mil para 3 mil metros, nos casos de empreendimentos de significativo impacto ambiental, assim considerados pelo órgão ambiental licenciador, com fundamento em estudo de impacto ambiental e respectivo relatório de impacto ambiental (EIA/Rima). Nos casos de licenciamento ambiental de empreendimentos não sujeitos a EIA/Rima, a zona de amortecimento a ser considerada, para as UC que ainda não têm plano de manejo, é de 2 mil metros.

Os órgãos responsáveis pela administração das unidades – tanto federal quanto estaduais e municipais – terão, a partir de agora, prazo de cinco anos contados da publicação da resolução para definir os planos de manejo das UCs que ainda não os possuem. Após esse prazo, para as UCs sem plano de manejo, a zona de amortecimento passa a não existir. Na regra revogada, a zona de amortecimento em unidades de conservação que não possuem plano de manejo seria sempre de 10 mil metros.

Zona de amortecimento e plano de manejo

Segundo a Lei do SNUC, zona de amortecimento é o entorno de uma unidade de conservação, onde as atividades humanas estão sujeitas a normas e restrições específicas, com o propósito de minimizar os impactos negativos sobre a unidade.

Já o plano de manejo é o documento técnico mediante o qual, com fundamento nos objetivos gerais da UC, se estabelece o seu zoneamento e as normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implantação das estruturas físicas necessárias à gestão da unidade.

Fonte: Natália Clark/ Salada Verde/ Portal O ECO

sábado, 27 de novembro de 2010

Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba


O Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba é uma das maiores unidades de proteção e preservação integral do Brasil. Localiza-se na divisa dos Estados do Piauí, Maranhão, Bahia e Tocantins, e têm porções nos municípios de Correntes (PI), Barreiras do Piauí (PI), São Gonçalo do Gurgueia (PI), Gilbués (PI), Alto Parnaíba (MA), Formosa do Rio Preto (BA), São Felix (TO), Mateiros (TO) e Lizarda (TO). Ele se situa aproximadamente a 30 km de Mateiros (TO) e a 50 km de Alto Parnaíba (MA).

O Parque foi criado para preservar uma rica fauna dentro de extensa região, ainda remota do nosso país. É uma das maiores e mais conservadas extensões de cerrado do Brasil, três vezes maior do que a área protegida do Pantanal.

São ao todo 7.300 quilômetros quadrados, localizados entre as Serras a Tabatinga e Chapada das Mangabeiras, na divisa entre os estados de Piauí, Bahia, Tocantins e Maranhão.

Criado em 2002 visando a proteger a importante área das bacias hidrográficas do Rio São Francisco, Parnaíba e Tocantins: notadamente as nascentes do Rio Parnaíba, principal curso d'água a nascer e desaguar no Nordeste, que banha mais de 50 cidades com sua extensão de 1.750 km. Estas nascentes se formam a partir de ressurgências na Chapada das Mangabeiras, que originam os cursos dos rios Lontras, Curriola e Água Quente que, por sua vez unidos, formam o rio Parnaíba.

Uma explosão de cor é vista do lindo céu azul. Um grito estonteante revelam um bando de araras, tão presentes aqui quanto os outros animais extremamente raros e tudo visível neste habitat impressionante. Os penhascos vermelhos da serra elevam-se sobre as planícies arrebatadoras que se misturam com os bosques de buriti e as árvores da floresta seca.

Dentro desta extensa região selvagem há um dos melhores cenários do país para observação de animais selvagens: o Vale das Araras Pretas, Serra Vermelha e Vale dos Macacos, localizados no coração do ecossistema do cerrado que cobre grande parte do Brasil Central. O lodge e os acampamentos oferecem uma possibilidade para a observação próxima de Araras Pretas, Araras Vermelhas, dos Macacos-pregos e do espetacular Lobo Guará. Visando o turismo responsável, o projeto da Fundação Bio Brasil contribui diretamente à manutenção e à expansão de reservas privadas e das comunidades locais. A reserva é vital para a conservação deste ecossistema, onde a cada dia, há mais terras dedicadas a agricultura extensiva para a plantação de soja, milho etc.

No Vale das Araras Pretas, os ecoturistas são alojados em apartamentos de alvenaria, em quartos duplos ou triplos, com banheiros privativos e chuveiros aquecidos pelo sol, oferecendo o conforto da água quente do meio dia até às 20hs. A elevação do local de 800 a 950m sobre o nível do mar assegura as condições perfeitas para dormir. Durante à noite, a temperatura pode chegar a 20ºC, alcançando níveis mais baixos nos meses de maio a agosto. Durante o dia, a temperatura pode chegar até 28ºC, mas o ar quente sem umidade não deixa sentir tanto calor. As refeições são servidas em um barracão com teto de palha de coqueiro, onde é possivel avistar os pássaros pequenos que visitam o local, durante a noite, o local é perfeito para aguardar a chegada do Lobo Guará em busca de comida na sede. A poucos passos do lodge, há bebedouros e comedouros de alimentação dos pássaros, onde fotografar é muito fácil e divertido.

O Estado do Piauí está localizado na parte oeste do nordeste brasileiro e faz divisa com os Estados do Ceará, Pernambuco, Bahia, Tocantins e Maranhão, sendo essa última fronteira demarcada pelo curso do rio Parnaíba. A seu extremo Norte, encontra com o Oceano Atlântico.

Fonte: Diversos. http://www.ciaeco.tur.br/Pesquisa Ibi Tupi Projetos e Consultoria.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Corredores Ambientais dos Rios Poty e Parnaíba

A proposta de transformação das margens dos Rios Poty e Parnaíba em corredores lineares ambientais urbanos, notadamente das situações e setores urbanos mais densas e mais impactadas pela presença humana, foi composta como um dos mais importantes capítulos de projetos estruturantes do PRU TERESINA - Plano de Requalificação Urbana de Teresina.

Trata-se da validação de um dos mais completos roteiros de proteção e preservação ambiental de todas estas situações relevantes, obrigatórias quanto a permanência de todas estas situações, tanto para conservação destes contextos que incluem os próprios recursos hídricos, suas margens e províncias paisagísticas contidas nas mesmas, como para a ampliação da qualidade de vida nesta cidade.

Fonte: PRU TERESINA/ Ibi Tupi Projetos e Consultoria

Edição Especial AU 164 - Novembro 2010

Edição Especial da Revista AU - Novembro 164 é dedicada a INTERVENÇÕES EM FAVELAS.

Projetos urbanos e projetos de edificações que mudam a paisagem das favelas brasileiras: Conjunto Residencial Itaoca, no Morro do Alemão/ RJ; Centro Comunitário BH da Cidadania, em Aglomerado da Serra/ BH; Córrego do Antonico, em Paraisópolis/ SP; Praça do Lajeado/ SP; e Praças no Beco São Vicente/ BH são os destaque.

Vale a pena conferir mesmo.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Capital natural: Brasil fica no topo?


Há poucas semanas, o WWF, a Global Footprint Network e a Sociedade Zoológica de Londres publicaram um relatório abrangente sobre a saúde do planeta. A edição de 2010 do Relatório Planeta Vivo mostra que a demanda humana por os recursos continua crescendo em um ritmo alarmante, superando níveis de sustentabilidade. O relatório mostra que o Brasil lidera o mundo em riqueza ecológica. Porém, pode o país proteger seu maior patrimônio?

De acordo com os últimos dados da Global Footprint Network, o Brasil é o país com a maior biocapacidade total, uma medida da quantidade de recursos produzidos por seus ecossistemas. Quase 14% da biocapacidade mundial pode ser encontrada dentro das fronteiras brasileiras e a biocapacidade disponível por pessoa (9 hectares globais) é mais de quatro vezes maior do que a média mundial (1.8 ha). O Brasil é também um dos países com a relação mais positiva entre sua biocapacidade e sua Pegada Ecológica, balanço que mede a demanda de recursos pela população para produzir o que é consumido e para absorver o gás carbônico emitido.

O valor do capital natural do Brasil torna-se claro no contexto global atual.

De acordo com o Relatório Planeta Vivo, em 2007, ano mais recente com dados disponíveis, a pegada ecológica total da humanidade excedia em 50% a capacidade de suporte da natureza. Em outras palavras, são necessários 18 meses para que a natureza regenere os recursos consumidos e absorva as emissões de CO2 geradas anualmente pelas atividades humanas.

Para entender como a exploração dos recursos ecológicos é possível, é útil utilizar uma analogia financeira. Quando a pegada ecológica da humanidade é menor do que a biocapacidade, é como se vívessemos apenas com os juros gerados pela natureza. Quando ultrapassamos esse equilíbrio, começamos a acabar com nosso estoque de recursos naturais e a acumular lixo – basicamente gastando o fundo principal. Assim como em uma aplicação financeira, essa situação pode até durar um certo período de tempo. Mas, com os problemas emergenciais que enfrentamos hoje, que vão das mudanças climáticas à redução da biodiversidade (detalhada pelo Relatório Planeta Vivo), recebemos sinais de que já ultrapassamos os limites de nossa exploração.

Em um mundo que enfrenta uma crise crescente por recursos, a biocapacidade brasileira oferece uma vantagem significativa - tanto na sua capacidade de ser um fornecedor para outros países, como para seus próprios cidadãos. Mas há um porém. O Brasil só poderá atingir esse patamar de benefícios se não esgotar a fonte de sua riqueza - se conseguir, na essência, sobreviver com os juros de sua riqueza..

As tendências mostram que o país está indo na direção oposta. De 2,9 hectares globais, a pegada ecológica do brasileiro médio já é maior do que a média global e consideravelmente maior do que o disponível de 1,8 por pessoa no planeta.

"A redução da desigualdade, com aumento do poder aquisitivo da população brasileira é um resultado positivo", disse a secretária-geral da WWF-Brasil, Denise Hamú, em resposta ao relatório. "Entretanto, nós também temos que enfrentar um grande desafio:. Crescer sem esgotar os recursos naturais"

O crescimento populacional do Brasil representa outro desafio. A população do país mais do que dobrou desde 1961, de 75 milhões para 190 milhões, enquanto sua biocapacidade total não mudou significativamente. O resultado é que a quantidade de biocapacidade disponível por pessoa, mesmo grande, é menor do que a metade do que era quatro décadas atrás.

A boa notícia é que com a melhoria da qualidade de vida no Brasil, a Pegada Ecológica per capita não aumentou exponencialmente, como ocorreu em outros países – especialmente na Europa, América do Norte e Oriente Médio. O país possui uma pegada relativamente baixa para seus níveis de desenvolvimento humano, medidos pelo Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, que classifica os países com base em sua obtenção de alguns parâmetros, como longevidade, educação e renda. Isso sugere que o país está se desenvolvendo com um nível mais baixo de demanda por recursos do que outros países.

O desafio brasileiro é criar novas oportunidades de crescimento para o país enquanto são protegidos os serviços ecossistêmicos que são a base para seu desenvolvimento econômico. Se o país conseguir manter o equilíbrio entre o que é consumido e o que a natureza pode prover, ele será a estrela do século 21. Caso contrário, é bom relembrar que, a não ser que o país consiga cuidar de seu patrimônio, até o mais rico pode acabar falido.

Fonte: Portal O ECO. Um artigo de Helena Artmann, montanhista e balonista há mais de 16 anos, tendo feito mais de 15 expedições para alta montanha. É formada em Comunicação Social. Atualmente mora em Banff, Alberta (Canada), no coração das Rochosas Canadenses. Tradução de Laura Alves. Rio Tefé na Amazônia brasileira: biodiversidade coloca o país no topo do ranking de capital natural. Fotografia Margi Moss.

Proposta do novo Código Ambiental na berlinda

Aprovada em julho deste ano por uma comissão especial no Congresso Nacional, a proposta do novo Código Florestal deve ser foco de intensos debates políticos em Brasília agora que as eleições estão terminadas. Criticado por diversas entidades como um retrocesso na legislação ambiental, o projeto relatado pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) tem o apoio da bancada ruralista, que pretende ainda este ano levar o projeto para votação no plenário da Câmara.

“Nossa intenção é votar depois do segundo turno, mas para começar a valer mesmo precisa ser aprovado também pelo Plenário do Senado e passar pela sanção do presidente Lula,” afirmou o deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR), integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária e presidente da comissão especial sobre o Código Florestal. Para ele, o resultado da eleição presidencial não deve interferir no projeto: “Independente de quem ganhar o relatório do deputado Aldo Rebelo será levado a Plenário para ser votado. Afinal, essa é uma exigência do setor produtivo, segmento da nossa economia responsável por 40% das exportações, 28% do PIB e mais de 30% dos empregos gerados nesse país.”

Apesar da pressão da bancada ruralista, o mais provável é que a votação do novo Código fique para a próxima legislatura. O presidente da Câmara, Michel Temer, já declarou que a votação de temas polêmicos, como a reforma do Código Florestal, deve ficar para o próximo ano. Segundo Márcio Freitas, assessor do deputado, depois das eleições os líderes dos partidos vão se reunir para definir quais projetos serão votados esse ano e quais vão ficar para o próximo, já que por um acordo de líderes, as votações no Plenário estão suspensas.

Para o coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, deputado Sarney Filho (PV-MA), que votou contra o texto de Aldo Rebelo, a discussão do Código Florestal foi contaminada pelo período eleitoral, e responsabilizou a omissão dos grandes partidos como PT e PSDB pela aprovação do relatório. “Estes partidos em nenhum momento assumiram uma posição clara diante desse gravíssimo retrocesso que estava sendo articulado há meses na Câmara, e agora vamos tentar barrar a sua votação no Plenário”.

Sarney Filho acredita que com o compromisso assumido pelos dois candidatos à presidência, o novo Código será discutido com maior profundidade para impedir retrocesso na legislação ambiental, sendo assim, não deve ser votado este ano.

Fonte: Portal O ECO http://www.oeco.com.br/

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Herdeiro do trono britânico faz filme sobre ambiente

Depois de três décadas de trabalho para encontrar soluções e inovações para a crise ambiental global, o Príncipe Charles está lançando um filme que conta sua história e de outras pessoas engajadas. “Harmonia: uma nova maneira de olhar o mundo”.estreiou nesta sexta na rede americana NBC.

O filme, narrado pelo príncipe, tem como principal argumento a forma como podemos enfrentar os desafios ambientais de uma perspectiva global, local e individual. Produzido e dirigido por Julie Bergman Sender e Stuart Sender, ganhadores do Oscar, “Harmonia” pretende ser um chamado à ação para a população mundial.

Fonte: Portal O ECO

Prefeitura de Teresina visita Sistema Integrado de Fortaleza

Uma equipe da Prefeitura de Teresina - Gabinete do Prefeito, Secretaria de Governo, STRANS e SEMPLAN - coordenada pelo próprio sr. Prefeito Municipal Elmano Ferrer visitou i Sistema Integrado de Transportes e Fortaleza, durante este domingo e segunda feira. O interesse pela visita foi por conta o próximo horizonte de implantação de um sistema similar na capital piauiense.

O SIT Fortaleza existe desde 1992 e em operação plena desde 1995, originalmente gestionado pela ETUSA esta transformada em ETUFOR, com todos os 07(Sete) terminais que o compõem, implantados, controle operacional (Através de GPS) e Camara de Compensação.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

MPF quer licença única para Belo Monte


O Ministério Público Federal (MPF), preocupado com irregularidades e pendências relacionadas à Licença Prévia da Usina de Belo Monte, enviou uma recomendação ao Ibama para que nenhuma nova licença ambiental seja emitida enquanto as questões não sejam devidamente resolvidas.

O documento, envidado pelos procuradores no dia 9, impede a emissão das licenças ambientais para o enorme empreendimento hidrelétrico antes de serem cumpridas as 40 condicionantes (exigências prévias) previstas na Licença Prévia 342/2010 que autorizou o leilão da usina em abril de 2010.

“É inadmissível juridicamente a expedição dessa nova licença, porque relegaria a decisão por cumprir as condicionantes para um momento posterior”, diz a recomendação.

Na recomendação ao Ibama, os procuradores da República que atuam em Altamira, Cláudio Terre do Amaral e Bruno Gütschow lembram que “não existe no ordenamento jurídico brasileiro o instituto da licença parcial de instalação (ou qualquer outro instrumento com outro nome) que permita que se inicie a implementação de um empreendimento com impactos de grandeza regional ou nacional em caráter precário”.

O MPF está agindo pelo princípio da precaução, a fim de evitar danos irreversíveis e evitar casos como o das obras de Jirau e Santo Antônio em Rondônia, projetos que iniciaram a instalação de canteiros e início de obras apenas pela emissão de uma licença prévia. Dessa forma, o ministério quer evitar que a legislação seja corrompida com início de obras de caráter precário e irregular. Pelo princípio da legalidade os agentes de administração pública devem ater-se à legislação para editar atos administrativos.

Fonte: Portal O ECO

Pernambuco terá fábrica de painéis solares

O Presidente da Eco Solar do Brasil, Emerson Kapaz, e diretores da suíça Oerlikon, firmaram um acordo, hoje (dia 11 de novembro), no qual planejam construir a primeira fábrica de painéis de geração de energia solar da América do Sul, em Pernambuco.

A fábrica será instalada no Complexo industrial de Suape e terá capacidade para produzir 850 mil painéis fotovoltaicos por ano. Emerson Kapaz, da Eco Solar, disse que a indústria utilizará a tecnologia do “filme fino”, que consiste na placas feitas de material mais eficiente e mais barato, além de 100% limpo, conforme disse no anúncio feito no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo do estado.

De acordo com os representantes das indústrias, no mundo existem 13 fábricas do gênero em países no leste europeu e na Ásia. A planta industrial representará um investimento de R$ 500 milhões. Kapaz disse que o Banco do Nordeste do Brasil financiará 70% do total (R$ 350 milhões) e o fundo de investimento FXX Corporate participará do empreendimento com R$ 100 milhões. “Há interesse de uma grande empresa brasileira e um fundo de investimento norte-americano em participar do negócio”, adiantou.

As obras para construção da unidade começam em 60 dias e a indústria deverá iniciar sua produção a partir de 2012, de acordo com as expectativas do presidente da Eco Solar do Brasil. Emerson Kapaz também disse que o Brasil ainda não descobriu a força do setor. Ele acredita que sua indústria exportará para os Estados Unidos, Chile, Peru e Argentina.

Os painéis fotovoltaicos podem ser utilizados em residências, em estabelecimentos comerciais, bancos e até em empresas maiores. Uma placa com potência de gerar até 150 watts deverá custar pouco mais do que R$ 300,00. Hoje, painéis com potência inferior custam pouco menos do que R$ 2.000,00.

Fonte: Portal O ECO

domingo, 21 de novembro de 2010

Sabiaguaba: um bairro ecológico, em Fortaleza


O documento tem como proposta traçar normas que orientem a ocupação sustentável da região em questão

Ocupação irregular, impermeabilização do solo, falta de saneamento básico e desmatamento da mata ciliar. Esses problemas enfrentados por um dos espaços de maior beleza natural de Fortaleza, a Sabiaguaba, deverão ser vetados ou solucionados com o plano de manejo da área. O documento, em fase final de elaboração, teve seu diagnóstico apresentado na manhã de ontem, na Escola Eduardo Pinheiro Campos, para a comunidade local pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Controle Urbano (Semam) e deverá ficar pronto até fevereiro de 2011. Segundo o titular da Semam, Deodato Ramalho, depois da criação da Área de Proteção Ambiental (APA) e do Parque Natural Municipal das Dunas, em 2006, o plano cumprirá a obrigação legal de consolidar a proteção para o espaço total de 467,6 hectares.

O plano de manejo, adiantou Ramalho, pretende traçar normas que orientem a ocupação sustentável da Sabiaguaba. A ideia é transformar o bairro no primeiro ecológico da Capital, com a implantação de trilhas, com visitas organizadas exclusivamente para o ecoturismo e pesquisas científicas. Parcerias com o Ibama e a Companhia da Polícia Militar Ambiental (CPMA), assegurou, também possibilitarão, por exemplo, sobrevoos de helicópteros de 15 em 15 dias, como reforço na fiscalização do espaço.

Um dos coordenadores do plano, professor Jeovah Meireles, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC), explicou que a elaboração do documento é feita em parceria com os 17 mil moradores da Sabiaguaba e garantiu que não haverá problemas com a desapropriação, por exemplo, de 15 famílias que residem dentro do parque, onde não é possível nenhum tipo de intervenção. "As famílias já sabem que terão de sair para a área permitida na APA".

Reserva

O contexto ambiental urbano do Sabiaguaba é a última reserva de dunas naturais de Fortaleza. Muito mais que paisagem, elas funcionam como esponjas em dias de chuva e ajudam a regular a temperatura. Ali, assegurou Deodato Ramalho, passeios de bugues ou carro com tração não serão permitidos. "A fiscalização já é permanente com o auxílio da própria comunidade, e nada que degrade a natureza será mais permitido". 467 Hectares compõem a área total do Parque Natural Municipal das Dunas de Sabiaguaba, onde inseridos na Área de Proteção Ambiental de mesma denominação.


Fonte: Diario do Nordeste On line. Reportagem Leda Gonçalves. Fotografia Tuno Vieira. Direitos Autorais preservados

sábado, 20 de novembro de 2010

Mesmo com chuvas, o calor não diminui

A Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semar), em boletim divulgado na manhã de hoje, informa que as chuvas que têm ocorrido no Estado devem prosseguir até o domingo, dia 21, em boa parte dos municípios. No entanto, as precipitações não serão suficientes para amenizar o forte calor, que deve prosseguir, pelo menos, até o dia 20 de dezembro. Quem faz a previsão é o meteorologista Mainar Medeiros, da Gerencia de Hidrometeorologia, da Semar.

De acordo com Mainar as chuvas dos próximos três dias estarão concentradas, principalmente, nas regiões Central e Sul do Estado, o que contribuirá para amenizar temporariamente o calor. Em seguida, com a suspensão das chuvas, o calor deve voltar, permanecendo até o final do ciclo do B-R-Ó BRÓ, em meados de dezembro.

O Instituto Somar de Meteorologia, de São Paulo, confirma que as maiores precipitações deverão acontecer na região dos Cerrados Piauienses. Em Uruçuí, a precipitação deve atingir os 18 milímetros no domingo. Em Bom Jesus, também nos cerrados, a previsão para o mesmo dia é de uma chuva de 16 milímetros.

Na região do Médio Parnaíba Piauiense, a chuva mais forte deverá ocorrer na região de Floriano, cerca de 20 milímetros no domingo. Em Água Branca, as chuvas vão variar de 5 a 10 milímetros, de hoje até domingo. No Semiárido as chuvas serão mais fracas - 2 a 7 milímetros nas cidades de Paulistana, Picos e São Raimundo Nonato.

Fonte: O DIA Online

Geopark Araripe será o modelo


Dois eventos significativos contribuíram, no decurso da semana, para a consolidação do Geopark Araripe. O primeiro: a visita da comissão de especialistas da Unesco para avaliar esse projeto pioneiro no Hemisfério Sul, dotado de nove geossítios; o segundo: a 1ª Conferência Latino-Americana e Caribenha de Geoparks, reunindo delegações de países como França, Malásia, Espanha, Noruega, Irlanda, Portugal, Uruguai e Brasil, convidados do Ministério da Integração Nacional, do Serviço Geológico da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), professores e pesquisadores brasileiros.

Um Geopark, no conceito científico, corresponde a uma área com expressão territorial e limites bem definidos, contendo número significativo de sítios de interesse geológico, histórico, cultural e rico em biodiversidade. O Geopark Araripe está contemplado com área de 3.520,52 km², correspondendo ao território de seis municípios do sul do Ceará: Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Missão Velha, Nova Olinda e Santana do Cariri.

A partir da Universidade Regional do Cariri, onde o projeto está albergado, os especialistas da Unesco conheceram de perto a riqueza paleontológica da região. Ela está distribuída por nove geossítios, dotados de áreas fossilíferas e suas peculiaridades, como o Parque dos Dinossauros e Museu de Paleontologia de Santana do Cariri e a Floresta Petrificada de Missão Velha, cuja documentação geológica confirma a separação da costa brasileira do continente africano.

A delegação da Unesco avaliou como positiva a visita, da qual sairá, em março vindouro, o relatório conclusivo. Dele vai depender a emissão do selo verde para o empreendimento. Os especialistas comprovaram, na avaliação, a existência das condições básicas para o seu reconhecimento, como a interação dos sítios geológicos com os moradores de seu entorno, o saber local, o legado histórico, cultural e social, além dos geoprodutos. Esses pré-requisitos serão essenciais para o reconhecimento internacional do Geopark Araripe.

A Conferência Latino-Americana e Caribenha de Geoparks concentrou no Cariri delegações de 20 países, especialmente da Europa, América-Latina e Caribe, para uma troca de experiências sobre geoconservação, geoturismo e geoeducação. Há, espalhados pelo mundo, 77 geoparks, sendo explorados a partir desses três pilares. A conferência realizada em Barbalha interessou de perto aos prestadores de serviços, especialmente, às prefeituras, empresas de turismo, redes de hotéis, restaurantes e serviços receptivos.

O Geopark Araripe, pioneiro nas Américas, servirá de modelo para outros empreendimentos científicos e culturais do gênero. Sua experiência já vem interessando aos Estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, engajados em iniciativas para a estruturação de parques semelhantes. A divulgação desses recursos naturais trará outros ganhos, como a possibilidade de mudanças da mentalidade até então destruidora de um patrimônio dotado de milhões de anos, porém relegado ao esquecimento pela desinformação sobre sua relevância e ao desmantelamento pela ação de novos bárbaros.

Fonte: Editorial/ Diário do Nordeste. Fotografia de uma extração industrial de calcário. Por Daniel Roman. Direitos autorais preservados.