sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Instituto Agropolos obteve conceito EXCELENTE

O Instituto Agropolos obteve conceito EXCELENTE, nota 94 de desempenho (numa escala de 0 a 100), numa avaliação anual realizada pela Petrobras Biocombustível S.A. O Agropolos foi responsável por atender a 75% de todo o público do Programa Biodiesel do Ceará. Atingiu 114 municípios nos 13 territórios do Ceará.

A empresa também cadastrou neste ano 22.964 agricultores familiares e plantou 24 mil hectares de mamona e girassol.

Já a produção fornecida pelos agricultores familiares assistidos pelo Agropolos será cerca de 6.035 toneladas de grãos de mamona e girassol, correspondendo a 74% de toda a produção de mamona e girassol do Programa Biodiesel do Estado do Ceará.


Fonte: Blog do Eliomar de Lima e outros

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Transporte público será o principal problema da Copa 2014

Para 79% dos brasileiros, o transporte público deverá ser o principal problema das cidades-sedes da Copa 2014, no Brasil. O dado faz parte da pesquisa realizada pela empresa GfK, que há 22 anos atua no mercado brasileiro, mas tem como sede a Alemanha. A pesquisa foi realizada em março deste ano, em nove regiões metropolitanas do País (Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém), além das capitais Brasília, Goiânia e Manaus.

A reforma e ampliação dos aeroportos, com 67%, e a construção e reforma de estádios (64%) aparecem também como preocupações do brasileiro. O setor hoteleiro, com 56%, desperta a maior confiança entre os entrevistados.

Para 42% dos brasileiros, o Governo Federal é o maior responsável pelo sucesso ou fracasso da Copa, seguido pela Fifa (24%), governos estaduais e municipais (17%) e CBF (8%).

Fonte: Blog do Eliomar de Lima e Agências

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A origem da proposta do GEOPARK ARARIPE


O GEOPARK ARARIPE que está em consolidação na porção cearense da Bacia do Araripe, um dos principais sítios do Período Cretáceo da Terra. A região é especial pelos achados geológicos e paleontológicos inéditos desde os primeiros anos do Século XIX, com registros entre 110 e 70 milhões de anos, em excepcional estado de preservação e diversidade.

No Araripe está mais de um terço de todos os registros de pterossauros descritos no mundo, mais de 20 ordens diferentes de insetos e única notação da interação inseto-planta. Há similares destas mesmas espécies na África, indício de quando os continentes foram um só, na época do continente primaz Gondwanna.

A proposta pretende a preservação dos locais principais, transformados em sítios de visitação e pesquisa compondo uma rede de 9 parques ou Geotopes, com registros documentais considerados imprescindíveis à compreensão da origem, evolução e atual estrutura da Terra e da vida.

Localizados nos municípios de Santana do Cariri, Nova Olinda, Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha e Missão Velha Todos os locais são representativos de estratos geológicos e tem formações fossilíferas.

A origem da proposição se deu a partir elaboração do APPLICATION DOSSIER FOR NOMINATION ARARIPE GEOPARK, STATE OF CEARÁ, BRAZIL, resultado do Convenio de Cooperação Universität Hamburg / URCA/ DAAD, sob a coordenação do Prof. Dr. Gero Hillmer, Curador do Instituto e Museu de Paleontologia da Universität Hamburg e colaboração de outros professores da própria URCA - Prof. Dr. André Herzog Cardoso e Prof. Dr. Alexandre Magno Feitosa Sales e colaboradores de outras universidades - Prof. José Sales Costa Filho/ UFC, encaminhada à verificação da UNESCO, objetivando o reconhecimento de todas estas situações relevantes, no início de 2006.

O documento continha uma ampla documentação científica sobre o Araripe, análise territorial de mais de 60 situações relevantes e informações sobre o potencial de desenvolvimento sustentável da região sob os aspectos da Educação, Cultura, Turismo, Preservação do Meio Ambiente e Desenvolvimento Social e Econômico, o que levou a sua aprovação na 2nd UNESCO Conference on Geoparks, em Belfast, Irlanda, em Setembro/ 2006.

Na trajetória de consolidação do GEOPARK ARARIPE, por exigência e orientação da UNESCO foram compostos os seguintes trabalhos
  • Aplication Dossier for Nomination Araripe Geopark, State of Ceará, Brazil ¹
  • Araripe Basin Action Regional Plan ²
  • Plano de Ordenamento e Estruturação do Geopark Araripe ²
  • Caderno de Identidade Visual e Sinalização
  • Projetos de Apropriação Urbanística e Paisagística dos Geotopes
  • Documentação iconográfica e científica dos geotopes¹
  • Plano de Gestão/ Período 2006/ 2009
  • Projeto de Reforma e Ampliação do Museu de Paleontologia URCA
  • Projeto de Reforma e Instalação do Escritório Sede/ Crato
  • Consolidação dos Geotopes
  • Termos de Referencia para Instrução de Tombamento do GEOPARK ARARIPE
  • Montagens de site http://www.geoparkararipe.org/
  • Exposição Araripe/ Centro Cultural Araripe/ Crato
  • Exposição Geopark Araripe no Centro de Arte e Cultura Dragão do Mar/ Fortaleza
  • Outros ²
Fonte: http://geoparkararipe.blogspot.com/postagem de Setembro 2006
Postado por José Sales

¹ Concepção pelos Prof. Dr. Gero Hillmer, Curador do Instituto e Museu de Paleontologia da Universität Hamburg, Prof. Dr. André Herzog Cardoso Prof. Dr. Alexandre Magno Feitosa Sales, Prof. José Sales Costa Filho/ UFC
² Coordenação do Professor José Sales Costa Filho/ Departamento de Arquitetura e Urbanismo/ UFC
³ Realização pelo Fotógrafo Daniel Roman/ MsA/ Master in Fine Arts/ Emerson College/ Boston

Geopark Araripe recebera Selo Verde da UNESCO

O Geopark Araripe, em consolidação na Bacia Sedimentar do Araripe, na região do Cariri, no Sul do Estado do Ceará, deverá receber oficialmente o Selo Verde, durante conferência de geoparks que irá ocorrer no Japão, no mês de maio do próximo ano. A comunicação oficial da URCA ressaltou as palavras da coordenadora da Rede Global de Geoparks Margareth Patzak, que colocou o Geopark Araripe dentro de uma posição de liderança quanto à construção de novos geoparks no Brasil e América Latina. Foi salientado que o Geopark continua sendo o único existente no Brasil e na América, com o reconhecimento da Rede Global. O Geopark Araripe recebeu avaliação positiva para o projeto, anunciada no final da tarde de domingo, na Noruega, durante a Conferência Européia de Geoparks.

Os geoparks são áreas naturais protegidas e situações de relevância geológica e paleontológicas protegidas, que testemunham a evolução do planeta Terra e a origem da vida, credenciadas pela UNESCO como patrimônios da humanidade.
Fonte: Blog do Crato

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Greenpeace completa 40 anos com aulas de desobediência civil

O Greenpeace deu lições de desobediência civil a potenciais militantes neste fim de semana para comemorar o 40º aniversário da organização ambientalista em Vancouver: os jovens aprenderam desde como se acorrentar para não serem presos até a fazer barreiras humanas.


"Não podem sempre esperar que outra pessoa venha salvar o mundo", disse a instrutora Jessie Schwarz aos participantes.


As aulas de desobediência civil foram organizadas no festival da organização ecologista em Vancouver, local onde o Greenpeace nasceu há 40 anos.


Em 15 de setembro de 1971, o barco Greenpeace deixou Vancouver para protestar contra os testes nucleares americanos na ilha Amchitka, no Alasca. Apesar de o barco ter sido bloqueado pela guarda costeira americana, a campanha contribuiu para pôr fim aos testes em 1972 e marcou o primeiro ato de desobediência civil do Greenpeace.


Fonte: O POVO Online

sábado, 17 de setembro de 2011

Peregrinação lembra vítimas da comunidade do Caldeirão


A memória das pessoas assassinadas no chamado "Massacre do Caldeirão" é revivida, amanhã, no Crato.

O caminho que ao Caldeirão é uma forma de reavivar na memória uma das experiências exitosas em comunidade rural, que terminou em tragédia e no sumiço de centenas de pessoas, entre crianças, adultos e idosos. Trabalhadores rurais, homens simples e que tinham como líder o beato José Lourenço, um discípulo do Padre Cícero, transformaram - se em uma ameça ao sistema. Um foco comunista num rincão distante do sertão nordestino.

As tropas do Exercito Brasileiro e da Polícia Militar agiram. Oficialmente, cerca de 400 pessoas foram mortas por resistir. Extraoficialmente, mais de mil pessoas foram assassinadas, a partir de ataques aéreos. Há quem diga que este fato não ocorreu. A vala comum onde foram enterrados os corpos não foi encontrada até hoje. Neste domingo, acontece a 12a Romaria das Comunidades de Base do Sítio Caldeirão de Santa Cruz do Deserto.

Fonte: Caderno Regional/ Diário do Nordeste


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Faltam 1.000 dias para a COPA 2014

E também 13 aeroportos, 12 estádios de futebol e muito muito mais. Pouco foi feito nos 1.415 dias que se passaram desde o anúncio do Brasil como sede da COPA 2014. E resta muito ainda a fazer nos próximos 1.000 dias.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Auditoria apura a suposta fraude no sistema de transporte de Teresina

A diretora técnica da Empresa de Transportes Urbanos de Fortaleza (Etufor), Calina Barros, participa de auditoria que apura a suposta fraude no sistema de transporte de Teresina. Segundo a Superintendência de Trânsito (Strans), há registro de fraudes em relação à meia passagem e gratuidades.

As denúncias abriram uma crise entre os empresários de ônibus e o governo municipal, que resultou em manifestações populares, quando na última semana dois coletivos foram destruídos e outros apedrejados. Como reação, os empresários retiraram de circulação todos os veículos.

A insatisfação com as denúncias levou a administração municipal a cancelar o aumento da tarifa, que iria de R$ 1,90 para R$ 2,10. Movimentos estudantis aproveitaram o momento para cobrar uma redução de tarifa e não aumento.

Em entrevista ao vivo a um telejornal de Teresina, nesta quinta-feira (8), o vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Teresina, Marcelino Lopes, se mostrou indignado com a omissão da prefeitura.

“Não temos a caneta de condão do prefeito. A Strans foi quem calculou essa tarifa (reajuste), não fomos nós”, reclamou o empresário, que negou ainda o lucro mensal de R$ 5 milhões das empresas. “Se o sistema fatura R$ 11,5 milhões, como é que tem lucro é 5 milhões? Não posso levar isso a sério”, desabafou.

O dirigente esteve acompanhado da diretora da Etufor, que apresentou o sistema praticado em Fortaleza, como a Tarifa Social, a Hora Social e a integração de terminais. A diretora destacou ainda os benefícios dos governos do Estado e do Município na redução de impostos para o setor.

Fonte: Blog do Eliomar de Lima

sábado, 3 de setembro de 2011

Meio ambiente municipal: remar contra a maré

O projeto de construção do Parque Rachel de Queiroz, no Alagadiço Novo, acalentado há anos por defensores do meio ambiente, está ameaçado pelo Programa de Drenagem Urbana de Fortaleza, planejado pela Prefeitura. A decisão gera polêmicas, pois, apesar de a iniciativa ter um objetivo nobre (evitar inundações), não deveria inviabilizar a reivindicação pela construção do parque ecológico.

Os banhos no riacho Alagadiço Novo fazem parte da memória de gerações que ali desfrutavam de um prazer tão simples. Não é à toa que muitos daqueles meninos de então tenham se mobilizado para defender a preservação ambiental da área. Temem que o espaço possa ser abocanhado pela especulação imobiliária, e as belezas naturais da área sejam riscadas do mapa de Fortaleza. Quem pode garantir que não?


É imperativo o diálogo entre os defensores do parque e as autoridades municipais. Seria imperdoável que não fossem levadas em conta as sugestões da população para o encontro de alternativas capazes de conciliar ambos os projetos.


Essa aspiração não é esdrúxula, em se tratando de uma administração municipal que se reivindica comprometida com o interesse social e a qualidade de vida das pessoas, acima de qualquer outra consideração. O pressuposto, portanto, é que o tratamento dado a essa reivindicação seria, em tese, diferente do registrado por gestões desprovidas dessa sensibilidade e que sacrificaram o patrimônio natural da cidade a uma visão economicista.


Não priorizar a preservação das áreas verdes seria renegar os compromissos originais que ensejaram a escolha de uma opção política não-conservadora para reger os destinos de Fortaleza. Algo inaceitável no momento em que o relator do projeto do novo Código Florestal, no Senado, fragiliza por completo a jurisdição federal sobre o patrimônio natural, pretendendo que as decisões efetivas sobre esse assunto fiquem com o Município e o Estado.


Esse critério expõe o patrimônio natural ao apetite insaciável de grupos econômicos que, comumente, têm maior poder de pressão nas instâncias municipal e estadual. É preciso que a Prefeitura de Fortaleza reme contra essa maré devastadora.


Fonte: Editorial O POVO. Setembro 03/ 2011

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Rio de 6 mil km é descoberto embaixo do Rio Amazonas

Pesquisadores do Observatório Nacional (ON) encontraram evidências de um rio subterrâneo de 6 mil quilômetros de extensão que corre embaixo do Rio Amazonas, a uma profundidade de 4 mil metros. Os dois cursos d’água têm o mesmo sentido de fluxo - de oeste para leste -, mas se comportam de forma diferente.

A descoberta foi possível graças aos dados de temperatura de 241 poços profundos perfurados pela Petrobras nas décadas de 1970 e 1980, na região amazônica. A estatal procurava petróleo.

Fluidos que se movimentam por meios porosos - como a água que corre por dentro dos sedimentos sob a Bacia Amazônica - costumam produzir sutis variações de temperatura. Com a informação térmica fornecida pela Petrobras, os cientistas Valiya Hamza, da Coordenação de Geofísica do Observatório Nacional, e a professora Elizabeth Tavares Pimentel, da Universidade Federal do Amazonas, identificaram a movimentação de águas subterrâneas em profundidades de até 4 mil metros.

O dados do doutorado de Elizabeth, sob orientação de Hamza, foram apresentados na semana passada no 12.º Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica, no Rio. Em homenagem ao orientador, um pesquisador indiano que vive no Brasil desde 1974, os cientistas batizaram o fluxo subterrâneo de Rio Hamza.

Características
A vazão média do Rio Amazonas é estimada em 133 mil metros cúbicos de água por segundo (m3/s). O fluxo subterrâneo contém apenas 2% desse volume com uma vazão de 3 mil m3/s - maior que a do Rio São Francisco, que corta Minas e o Nordeste e beneficia 13 milhões de pessoas, de 2,7 mil m3/s. Para se ter uma ideia da força do Hamza, quando a calha do Rio Tietê, em São Paulo, está cheia, a vazão alcança pouco mais de 1 mil m3/s.

As diferenças entre o Amazonas e o Hamza também são significativas quando se compara a largura e a velocidade do curso d’água dos dois rios. Enquanto as margens do Amazonas distam de 1 a 100 quilômetros, a largura do rio subterrâneo varia de 200 a 400 quilômetros. Por outro lado, a s águas do Amazonas correm de 0,1 a 2 metros por segundo, dependendo do local. Embaixo da terra, a velocidade é muito menor: de 10 a 100 metros por ano.

Há uma explicação simples para a lentidão subterrânea. Na superfície, a água movimenta-se sobre a calha do rio, como um líquido que escorre sobre a superfície. Nas profundezas, não há um túnel por onde a água possa correr. Ela vence pouco a pouco a resistência de sedimentos que atuam como uma gigantesca esponja: o líquido caminha pelos poros da rocha rumo ao mar.

Fonte: Portal IG

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O abandono do Sítio Fundão no Crato


O que restou de placa afixada pelo Governo Estadual na entrada do Sítio Fundão, bem próximo da guarita onde deveria ter um guarda mas está abandonada (foto de Cacá Araújo)

A população do Crato, do Cariri e o do Ceará está indignada e revoltada com o descaso do governo estadual para com um dos maiores patrimônios ecológicos e históricos do Ceará: o Sítio Fundão, em Crato-CE, reserva de 97 hectares pertencente ao Estado. Resquício de mata atlântica, fauna e flora diversificadas, o leito do rio Batateiras, ruínas de casarão, barragem feita por escravos, uma casa de taipa com dois pavimentos e um antiqüíssimo engenho de pau que, segundo o historiador J. de Figueiredo Filho, fora "introduzido no Brasil por volta do século XVII, graças à iniciativa dum sacerdote católico, castelhano, vindo do Peru (...)¹".

Segundo o ambientalista Ed Alencar, aquele secular engenho de pau, único na cidade do Crato e uma das poucas relíquias ainda existentes no Nordeste brasileiro, símbolo de importante fase do nosso desenvolvimento econômico e social, ficou fora do processo de restauração e, "depois de três anos nas mãos do governo, continua no abandono", correndo o risco de se perder para sempre.

Ele relata que, em março deste ano, o novo Presidente do COMPAM, Paulo Henrique Lustosa, fez politicagem lá na reserva quando convidou a sociedade e autoridades para inaugurar apenas uma placa indicando a restauração da casa, obra feita por pressão do Ministério Público. "Prometeram restaurar o engenho e até hoje...", afirma com revolta completando que ficou sabendo por vias oficiais que mais nada do que estava projetado e apresentado na URCA iria ser realizado, apesar da liberação de mais de 1 milhão de reais cujo destino não se sabe.

Fonte: Blog do Crato

sábado, 20 de agosto de 2011

Despoluir córrego ajuda a tornar cidade sustentável

Uma pesquisa da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP propõe que o planejamento urbano das cidades seja feito a partir das suas bacias hidrográficas, aliando a recuperação das águas dos córregos e a reintrodução da natureza aos projetos de habitação social.

“O poder público investe na despoluição do Tietê e do Pinheiros, mas esquece que há centenas de córregos poluídos que desaguam nestes rios. Por isso, a despoluição deve ser feita primeiramente nos córregos. Frequentemente, suas várzeas inundáveis são ocupadas por habitação precária. Um absurdo, tanto do ponto de vista social quanto ambiental. Isto mostra o quanto a questão social e ambiental estão associadas e devem ser tratadas em conjunto”, aponta o arquiteto José Otávio Lotufo.

Lotufo desenvolveu um estudo de caso na região do córrego Itararé, na Vila Sônia. A nascente fica num grande terreno ao lado do cemitério Getsêmani, no Morumbi, zona sul de São Paulo, e desagua no córrego Pirajussara (canalizado) na avenida Eliseu de Almeida, no Butantã, zona oeste da Capital. Este, por sua vez, desagua no Rio Pinheiros. A área é ocupada por algumas favelas, mas também por moradias voltadas para a classe média e uma fábrica.

Os dados estão descritos em seu mestrado Habitação social para a cidade sustentável, pesquisa apresentada em 2011 e que teve a orientação do professor Dacio Araújo Benedicto Ottoni, da FAU. Na proposta do arquiteto, toda a extensão do córrego, de aproximadamente 2 quilômetros, seria transformada em um parque linear. As edificações somente poderiam ser construídas além do recuo de 30 metros a partir de suas margens, promovendo a recuperação da permeabilidade do solo na sua várzea, a restauração do ecossistema a partir da reintrodução de espécies vegetais nativas bem como a despoluição das águas.

Aproveitando a área do novo parque ao longo do córrego, seria construída uma ciclovia facilitando o deslocamento dos moradores dentro do bairro e até o metrô, onde haveria um bicicletário. Futuramente, ficaria prevista a implantação de um sistema de transporte leve movido por energia “limpa”, sobre trilhos, uma espécie de bonde, fazendo a ligação com a estação Vila Sônia do metrô. As áreas onde atualmente existem favelas seriam desapropriadas e as famílias removidas seriam instaladas em habitações de qualidade em locais adequados, próximos a suas antigas moradias, por meio de Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis), algumas já existentes e outras a serem propostas. O projeto também prevê ao longo do parque e próximo às novas unidades habitacionais a instalação de pontos de comércio e serviços, de equipamentos de lazer e esporte, e de pequenas pontes para a transposição do córrego.

A proposta permitiria despoluir o córrego, trazendo simultaneamente a natureza de volta à cidade e uma melhor qualidade de vida a todos moradores locais, independente de sua classe e condição social: eles poderiam usufruir de uma área verde para lazer, esportes e convívio, transporte e habitação de qualidade, além de acesso a serviços e comércio. “A recuperação das bacias hidrográficas da cidade é um critério que pode ser adotado como planejamento urbano, pois apresenta metas de curto, médio e longo prazo.”

Ecossistema urbano
“A sociedade humana e a natureza devem estar em harmonia, ambas compõem um ecossistema próprio que é e será cada vez mais urbano. Desequilíbrios como violência, desespero, falta de perspectiva de vida, poluição, escassez de áreas verdes e de lazer, falta de tempo e oportunidade para o esporte, cultura e educação, o estresse crescente, etc., são patologias no ecossistema urbano. Ao mesmo tempo, este ecossistema urbano faz parte de outros ecossistemas maiores até a escala planetária. Dentro de uma perspectiva ecológica, nada pode ser abordado como algo isolado, independente”, explica. A proposta para a região do córrego Itararé está em harmonia com a natureza, e traz equilíbrio ao ecossistema urbano.

Por isso, defende o pesquisador, o poder público deve repensar a maneira como as cidades são planejadas e projetadas. Para atingir o equilíbrio do meio ambiente urbano, é necessário que a população tenha acesso a infraestrutura de qualidade não apenas na habitação, mas em transporte coletivo, na existência de áreas verdes (praças, parques) e de lazer para todos, pois isso traz qualidade de vida. Esta é a habitação social, que não se restringe apenas à moradia em si, mas abrange seu entorno, o bairro, a cidade. “A habitação social é um fator essencial sem a qual não se atinge a sustentabilidade urbana”, destaca.

O arquiteto lembra que o crescimento da cidade de São Paulo ocorreu a partir de interesses políticos e econômicos que fizeram com que a população mais pobre ficasse concentrada nas periferias, em áreas menos privilegiadas e distantes de todo e qualquer benefício. “Por critérios que beneficiaram historicamente o transporte individual sobre pneus em detrimento de um sistema eficiente de transporte coletivo, muitas avenidas foram construídas em fundos de vale, nas margens de rios e córregos importantes da cidade. Os problemas com as enchentes que acontecem atualmente nada mais são do que uma resposta da natureza à própria irresponsabilidade de se construir a cidade nas áreas naturalmente inundáveis desses rios e córregos.”

“A precariedade das habitações na periferia, ocasionada pela falta de opção, vem causando, além de sérios problemas e tensões sociais, um grande impacto sobre o meio ambiente. Há muitas favelas, ocupações e loteamentos irregulares em áreas já determinadas como áreas permanentes de preservação ambiental, como a Serra da Cantareira, na zona norte, e os mananciais da região sul”, afirma. Outro ponto que o arquiteto considera importante é quanto ao solo urbano. “Quando tratado como mercadoria, sem nenhum tipo de regulação do estado, as áreas que recebem melhorias acabam supervalorizadas, fazendo o preço subir e causando deslocamentos sociais. A população mais pobre é substituída por aquela que pode pagar, restando a eles apenas a periferia: precária, desqualificada e distante.”

Fonte: O Repórter | SÃO PAULO (Agência USP)

Encontro Intercontinental sobre a Natureza


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Floração de árvores em São Paulo


Se você vê árvores no seu caminho, envie a foto para danielsantini@gmail.com ou deixe nos comentários abaixo o link de onde ela foi publicada. Voltaremos ao assunto em 23 de setembro, no início da primavera. Compartilhe a beleza da sua cidade.

Fonte: O ECO

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O Pirata D'Iracema


O empresário Júlio Trindade, proprietário do Pirata Bar, faleceu no último sábado (30) deixando para trás 25 anos de história de um dos espaços mais famosos da noite fortalezense.


Nesta segunda-feira, em Fortaleza, o tom da noite ficou mais sóbrio. Conhecida como “a segunda-feira mais louca do mundo”, esta semana a cidade se despediu de Júlio Pirata D’Iracema, 65 anos, dono do Grupo Pirata de Empresas, que inclui o Pirata Bar. Vítima de um astrocitoma (câncer cerebral), ele faleceu no último sábado (30), às 23 horas, aos 65 anos. Atento ao que se passava pela cidade, este devoto fervoroso de Santo Antonio abraçou a molecagem cearense e proporcionou momentos memoráveis junto com cantores e humoristas.


Natural de Lisboa, Portugal, Antonio Julio de Jesus Trindade nasceu em 10 de março de 1946, filho de uma camponesa com um torneiro mecânico. “Sou da geração de 60, que viveu muito intensamente a quebra de paradigmas, período em que deixei Portugal, pois não queria servir ao exército em uma guerra colonial na Angola, pois o Rambo americano já é triste, imagine o português”, lembra ele na breve autobiografia que intitulou de “entrevista post-mortem”.


Após deixar sua terra natal em 1964, Júlio passou pela França, Estados Unidos, Canadá, Caribe até chegar ao Brasil em 1981. Chegou pela região Norte e logo se instalou na Bahia, onde montou um restaurante e uma pousada. Atendendo o convite de um amigo, veio conhecer o Ceará em 1985 e bastaram seis meses para que ele viesse de vez para cá. Por aqui, começou do zero investindo o que tinha num barco lagosteiro. “Por onde passei, exerci diversas funções e muitas delas pela primeira vez. Lavei pratos, faxinei banheiros, descarreguei caixas de frutas e legumes no antigo Mercado Les Halles em Paris. Fui recepcionista noturno de hotel, garçom e maitre no Chez Antoine, um restaurante finíssimo de San Martin, no Caribe. Lá, servi grandes personalidades como o ex-presidente Richard Nixon e Jaqueline Kennedy Onassis. Eu tinha um ótimo salário e recebia generosas gorjetas”, conta acrescentando ainda dono de uma banca de jornal e analista de sistema das forças aramadas francesas entre seus ofícios.


Já instalado na capital cearense, Júlio Trindade escolheu um novo recomeço. Apaixonado pela Praia da Iracema, ele instalou ali, em 1986, o Pirata Bar & Resto, em sociedade com o seu único filho, Rodolphe. Sua paixão pelo novo empreendimento e pela Praia era tanto que ele passou a se identificar como Júlio Pirata D’Iracema. O lugar recebeu grandes nomes da MPB, como Oswaldo Montenegro, Cássia Eller e Edson Cordeiro, e cresceu junto com uma geração de humoristas hoje referenciais no Brasil. “Estava começando o humor no Ceará e, como tínhamos menos shows na semana, sempre nos apresentávamos na segunda-feira do Pirata. O Júlio era um batalhador, um guerreiro e sempre abriu as portas para nós”, explica o ator e humorista Ciro Santos.


Também humorista, Falcão é outro que encontrou ali um espaço ideal para suas apresentações. “O Júlio é um dos maiores responsáveis pela minha carreira, depois de mim. Juntos, nós criamos o PCB do B, o Partido dos Cormos e Bregas do Brasil. Ele queria que eu me candidatasse a Presidente da República, em 2002, mas eu tive medo de ganhar”. Junto com Falcão, Júlio montou shows hilários como o Natal do Pirata (feito da noite de 25 de dezembro de 1988 com direito a distribuição de peru) e o show Cheio de Altos e Baixos, com Falcão e Nelson Ned. “Ele ainda queria fazer uma campanha pra levar as Olimpíadas para Pereiro”, brinca Falcão, que agora planeja homenagear o amigo com a gravação de um DVD no Pirata.


A famosa “Segunda-feira Mais Louca do Mundo” do Pirata foi mais uma ideia em que Júlio apostou na vocação de Fortaleza para a festa. Em 5 de janeiro 1987, uma segunda-feira, o Pirata abriu para que fosse realizado uma festa de aniversário. A animação foi tanta que acabou se repetindo na semana seguinte. Com o saudoso sanfoneiro Azeitona e da banda Alta Tensão no palco, o negócio foi dando certo e acabou se tornando uma marca registrada do turismo local. “Ele era muito incentivador da arte. Principalmente nesse período, nos anos 80, ele era um dos grandes incentivadores do movimento artístico cultural local. Todos os artistas, cantores, frequentavam o Pirata”, afirma a cantora e atriz Marta Aurélia. “Para a cultura foi, não só essa historia do forró que ele fazia e de transformar a segunda-feira na segunda mais animada o Brasil, mas também por participar ativamente da história cultural do Estado. Era uma pessoa que abria espaço”, confirma o cronista e compositor Tarcísio Matos.


Quem


ENTENDA A NOTÍCIA


Nascido em Lisboa, Portugal, Antonio Julio de Jesus Trindade era dono do Pirata Bar, espaço famoso na Praia de Iracema pela “segunda-feira mais louca do mundo”. Casado com Yane Trindade e pai de Rodolphe Trindade, ele foi um dos incentivadores da cena artística cearense.


Fonte: Vida & Arte/ O POVO Online

sábado, 30 de julho de 2011

Projeto que destina 50% do Fundo do Pré-sal à educação na pauta da CI

Proposta que destina 50% do Fundo Social à educação está na pauta da reunião da próxima quinta-feira (4) da Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI). De autoria do senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), a proposta recebeu voto favorável da relatora, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), e ainda será examinada pelas comissões de Educação, Cultura e Esporte (CE) e de Assuntos Econômicos (CAE), nesta última em decisão terminativa. Decisão terminativa é aquela tomada por uma comissão, com valor de uma decisão do Senado.
Quando tramita terminativamente, o projeto não vai a Plenário: dependendo do tipo de matéria e do resultado da votação, ele é enviado diretamente à Câmara dos Deputados, encaminhado à sanção, promulgado ou arquivado. Ele somente será votado pelo Plenário do Senado se recurso com esse objetivo, assinado por pelo menos nove senadores, for apresentado à Mesa. Após a votação do parecer da comissão, o prazo para a interposição de recurso para a apreciação da matéria no Plenário do Senado é de cinco dias úteis.
Pela proposta (PLS 138/11), que altera a Lei 12.351/10, 80% desse percentual deverá ser destinado à educação básica e à educação infantil. Além disso, o Poder Executivo ficará liberado de edição de nova lei para liberação de recursos para gastos de recursos relativos ao “principal” do Fundo Social.

Fonte: Senador Inácio Arruda

sexta-feira, 29 de julho de 2011

O profeta da Comunicação

- "O modo como os adolescentes falam entre si e a necessidade que sentem de se manter em contato via celular é feito desse tipo específico de meio"

"Nunca paramos de interferir drasticamente sobre nós mesmos por meio de toda tecnologia a que nos agarramos. Estamos sempre desorganizando absolutamente a nossa vida."

"Os sistemas de obtenção de dados processados eletronicamente nos possibilitam reunir tudo de forma instantânea. Esse tipo de memória total permite-nos (...) colocar todos os livros do mundo num computador."

"O público hoje assumiu um novo papel. Devido à própria simultaneidade da informação e da programação eletrônica, já não existem propriamente espectadores. Todo mundo faz parte do elenco."

Parecem lugares-comuns? Sim, mas são frases que datam de quase 50 anos, ditas nos anos 1960 por um professor célebre e polêmico: Herbert Marshall McLuhan, cujo centenário de nascimento, neste ano, está sendo celebrado no mundo todo. O autor do famoso aforismo "o meio é a mensagem", o primeiro a falar em "aldeia global" muito antes da invenção da internet e da banalização da globalização, não conseguiu obter em vida - ele morreu em 1980 - o reconhecimento dos seus pares na academia. "Meu pai viu seus escritos serem deplorados", diz Eric McLuhan, filho de Marshall, em entrevista publicada na página 6. Este centenário, porém, representa uma virada. Uma extensa agenda de seminários em diferentes países - entre eles o Brasil - resgata o pensador canadense como um intelectual de prestígio, além da capa de "profeta da comunicação".

"As asserções de McLuhan são muito contemporâneas, mas da nossa atualidade, não do tempo dele", afirma Derrick de Kerckhove, autor de "A Pele da Cultura" (Ed. Annablume) e um dos principais discípulos do pensador, de quem foi aluno e assistente. De Kerckhove abrirá no dia 2 de maio, na Universidade de São Paulo (USP), o seminário "O Século McLuhan", primeiro evento do centenário no Brasil. Sua agenda, em 2011, será frenética. Depois de São Paulo (e possivelmente Rio), irá a Barcelona e Berlim, onde haverá mais dois seminários sobre McLuhan (entre os dias 23 e 29). Outros ocorrem ao longo do ano em cidades como Toronto, Bari, Bruxelas, Katowice, Magdebourg...

Best-seller nos anos 1960, quando publicou marcos como "A Galáxia de Gutenberg: A Criação do Homem Tipográfico" (1962) e sobretudo "Os Meios de Comunicação Como Extensões do Homem - Understanding Media" (1964), McLuhan, que era professor de literatura e profundamente católico, costumava ser requisitado nessa época em programas de TV e em conferências. Foi um pioneiro na era dos intelectuais midiáticos, mas em suas intervenções parecia combater uma incompreensão que acabou por ofuscar o brilho dos seus escritos por décadas. Numa ocasião, ironizou o fato de causar tanta controvérsia, ao dizer que isso acontecia porque ele usava o hemisfério direito do cérebro, enquanto "elas [as pessoas] tentam usar o esquerdo. É simples".

Para Philip Marchand, responsável pela catalogação dos escritos de McLuhan para os Arquivos Nacionais do Canadá, a frase "o meio é a mensagem", que se tornou quase um mantra, está mais atual do que nunca. "De certo ponto de vista, o celular apenas permite que duas pessoas conversem como se estivessem usando telefones comuns. Mas o modo como os adolescentes falam entre si e a necessidade que sentem de se manter em contato via celular é um efeito desse tipo específico de meio."

Compreender o impacto de seu pensamento é fundamental na era digital. "McLuhan estava mais certo que a maioria de nós. O meio é de fato a mensagem e precisamos saber desenvolver o conteúdo de acordo com o meio. Quem não está conseguindo realizar isso está fracassando. Veja o que acontece no Oriente Médio: o governo falhou ao contar sua história, ao expor sua narrativa", afirmou o CEO da Starlight Runner Entertainment, Jeff Gomez, que esteve no Rio na semana passada para um seminário com produtores de conteúdo de televisão. "Até o momento, a internet vem sendo utilizada como se fosse televisão. Milhões de dólares têm sido desperdiçados. Precisamos entender a linguagem da internet", afirma Gomez, cuja empresa, com sede em Nova York, é especializada na criação de narrativas chamadas transmidiáticas para grandes produções, como "Piratas do Caribe" e "Avatar". "Por enquanto, a transmídia é a melhor resposta para quem quer falar em diferentes mídias sem repetir o conteúdo", diz Gom ez.

Na opinião da professora canadense Sara Diamond, McLuhan falava de maneira muito adequada da materialidade da tecnologia e sobre como uma nova tecnologia midiática carrega, em si, todas as outras mídias que a antecederam, "como acontece hoje com a internet". Sara preside a Ontario College of Art & Design (Ocad), universidade existente desde o século XIX, voltada para a formação de profissionais no campo da inovação e da cultura digital. Em visita ao Rio para participar do mesmo evento, ela contou que no início deste ano participou da organização de um concurso em que artistas foram convidados a apresentar trabalhos para explicitar a influência de McLuhan em suas criações. As obras devem ser apresentadas na "Nuit Blanche", evento cultural que costuma reunir mais de um milhão de pessoas nas ruas de Toronto e onde se planeja, este ano, uma homenagem a McLuhan.

A compreensão da lógica da comunicação eletrônica permitiu a McLuhan falar de perspectivas em áreas diversas, da economia à artes. Para entender o presente, voltou-se ao passado longíquo. Analisou como a invenção da escrita, em sociedades antigas, moldou formas de percepção, notadamente visuais, que teriam propiciado especializações do olhar que levaram à invenção, por exemplo, da arquitetura. Séculos depois, os tipos móveis de Gutenberg também tiveram impacto na percepção, que passou a reforçar aspectos de linearidade e racionalidade.

A difusão de obras impressas permitiu o surgimento do público e, portanto, das nacionalidades. Já com a substituição da era mecânica pela da comunicação eletrônica, McLuhan via a passagem "do mundo da roda para o mundo do circuito". Seria um processo "ambiental de integração", não fragmentador. No lugar de padrões preponderantemente visuais de percepção, estaria se adotando "padrões auditivos, integrais", não baseados num ponto de vista. Em 1964, na conferência Cibernética e Cultura Humana, afirmou: "Estamos passando da era da especialização para a era do envolvimento abrangente". Reconhecia que se tratava de "uma inversão muito intrigante e aterradora dos negócios humanos".

Passado o efeito bombástico dos aforismos de McLuhan, o professor de comunicação Muniz Sodré, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), observa que chegou o momento de ler sua obra em profundidade e revisitar seus conceitos. "McLuhan teve grande sucesso nos anos 1960 e 1970, mas não ficou para a academia como um filósofo sério e sim como um figura ambígua, entre o marqueteiro e o profeta. Ele tinha um tom profético, de fato, mas isso não é mau", afirma Sodré, que se inspira em ideias mcluhianas para desenvolver conceitos importantes em sua obra, como no livro "As Estratégias do Sensível".

"O que importa para McLuhan não é o conteúdo, mas a forma", diz Sodré. "A jogada da TV não é seu conteúdo, mas a forma como ela o apresenta. A mensagem é a forma, o que importa não é tanto o que nos diz, mas como nos diz algo tecnologicamente. É algo da lógica do sensível, diferente da lógica argumentativa da cultura clássica. Eu interpreto a forma macluhiana como a profecia da era do sensível."

Um dos mais jovens estudiosos de McLuhan no Brasil, o professor Vinícius Andrade Pereira, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), escreve com Fausto Fawcett a peça "Extensões de McLuhan", a ser encenada em seminário na PUC de Porto Alegre, em novembro, também sobre McLuhan. "A discussão contemporânea não permite mais rígidas oposições de antinomia, como as que opunham meio e conteúdo. McLuhan gostava de dizer que o conteúdo é como um pedaço de carne suculenta levado pelo ladrão para distrair o cão de guarda da mente", diz Pereira, também diretor do Media Lab da Escola Superior de Propaganda e Marketing. "Suas ideias nos dão base para entender as novas sensorialidades. Nunca antes o homem utilizou-se do atual cultivo tátil que vemos, por exemplo, na manipulação de celulares. Entram em cena novas habilidades motoras, cognitivas, sensitivas."

"A interpretação da mídia feita por McLuhan se revelou verdadeira", completa o professor de comunicação da ECA Massimo Di Felice, organizador do seminário na USP. "Nem ele conseguiu prever a complexidade da comunicação digital, mas dizia que a mídia tinha um papel cognitivo e as ideias que desenvolveu são úteis para entender a atualidade. Ele vê a mídia como extensão dos nossos sentidos. O debate sobre McLuhan me parece ainda mais fundamental no Brasil", afirma. No período de difusão de sua obra, o país vivia sob a ditadura, "quando havia preferência pela sociologia marxista, que se concentra no papel e nos sentidos da informação". O debate aqui, avalia, ficou limitado. "Mas o Brasil é hoje um dos países mais importantes na difusão da cultura digital e devemos entender melhor o valor de McLuhan." Di Felice negocia com a família do autor a publicação de textos inéditos dele preservados no acervo de Derrick de Kerckhove. O livro deve ser publicado pela editora Annablume.

Para McLuhan, não havia nada mais humano que a tecnologia desenvolvida pelo homem, apesar de seu potencial destrutivo. Seriam extensões tão criativas, que Darwin jamais teria como prevê-las na sua teoria da evolução. De acordo com Derrick de Kerckhove, uma boa metáfora da relação do homem com a tecnologia hoje pode ser vista em "Avatar", filme dirigido por James Cameron: "Diferentemente de "Pinóquio", que de certa forma é a máquina que encontra a humanidade, em "Avatar" o homem desaparece na máquina, há o desejo de sumir nessa máquina para, além da numerização, reencontrar a humanidade".

E o que diria McLuhan se ele pudesse retornar de repente, em meio aos protestos contra ditaduras no Oriente Médio? "No passado", afirma De Kerckhove, "havia a exclusão das sociedades em diferentes zonas geográficas, separadas umas das outras pela língua. Por meio da língua, controlava-se uma comunidade. Ora, a eletricidade implodiu isso, ao tornar possível ver as pessoas em todo o mundo. Uma das consequências é a transparência e a constituição de uma opinião pública global, como exemplifica o Wikileaks". McLuhan dizia que a luz elétrica representa a informação totalmente ambiental, presente em 360 graus. "Na internet, estamos banhados de luz. Nosso sistema de comunicação, com o celular e suas câmeras, são sistemas de transparência. O que vimos no Oriente Médio resulta dessa situação. O local, assim, sublinha o global, e vice-versa." Nesta "aldeia global", onde ocorre uma "retribalização", não há necessariamente harmonia, observa De Kerckhove: "Não existe lugar onde as pessoas se detestem mais cordialmente que numa aldeia."

Em tempos de rápidas transformações, De Kerckhove já sente certa nostalgia da TV: "É o único meio de comunicação de massa que nos resta. A internet não é um meio de massa. Enquanto a TV fala para todos, a internet é o meio em que todos falam. Mas é na TV que se cria certo sentimento de comunidade." Hoje, afirma o professor, a TV tornou-se o conteúdo da internet: "O YouTube apresenta a TV transformada em arte. Quando uma mídia se torna o conteúdo de outra mais abrangente, como a internet agora, a mídia anterior se reconverte em arte, em algo que queremos programar. A escrita, por exemplo, transformou a palavra em conteúdo. Assim, o corpo passou a ter controle sobre a linguagem e fez dela uma forma de arte."

Num século em que potencialmente, e cada vez mais, todos são artistas, tendo à disposição "ferramentas cada vez mais extraordinárias de criação", e no qual o próprio mundo se reconverte em arte, De Kerckhove acredita que somente a constituição de um pensamento místico poderá dar conta de tantas e tão amplas transformações. "McLuhan já previa a emergência desse século místico."

Fonte: Jornal Valor Econômico

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Nova edição da Frutal/Agroflores 2011

O lançamento oficial da décima-0itava edição da Frutal/Agroflores 2011 ocorrerá oficialmente na Região da Ibiapaba dia 9 próximo. Segundo Euvaldo Bringel, organizador do evento marcado para setembro, no Centro de Convenções, será durante visita técnica a uma das maiores produtoras de rosas do País, a Cearosa, e à empresa Nutrilite, referência em agricultura orgânica, acerola e outras frutas.

A Frutal 2011 é uma realização do Instituto Frutal, com apoio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), e contará com cursos e oficinas, além da exposição de produtos e participãção de caravanas de todo o Brasil e da África.

Fonte: Blog do Eliomar de Lima/ O POVO Online

O Programa “Ciência sem Fronteiras” / MCT

O Programa “Ciência sem Fronteiras” começa a sair do papel na próxima segunda-feira (1º) quando o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) divulgará as regras e os primeiros editais para concessão de bolsas no site do programa.

A informação é do ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, que participou hoje (28) do programa de rádio Bom Dia, Ministro, feito pela EBC Serviços em parceria com a Secretaria de Comunicação da Presidência da República. Segundo o ministro, o governo quer acelerar “a possibilidade de ter uma universidade de classe mundial” e “desenvolver a economia do conhecimento”. “Tem que preparar o enxoval para ter casamento, nós estamos preparando esse enxoval”, disse o ministro no rádio.


O Programa “Ciência sem Fronteiras” concederá bolsas de estudo a 100 mil brasileiros para cerca de 20 áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento nacional, inovação tecnológica e registro de patentes na área de engenharia, tecnologia e ciências da saúde. O CNPq e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) fornecerão 75 mil bolsas. O governo pretende que as 25 mil restantes sejam custeadas pela iniciativa privada.

Em quatro anos, o programa conc

De acordo com Mercadante, empresas multinacionais, como a British Gas e a Portugal Telecom; e entidades como a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) e Federação Brasileira de Bancos (Febraban) já manifestaram interesse em custear a formação de pesquisadores e até estágios no exterior.

O Programa Ciência sem Fronteiras terá quatro modalidades. A Bolsa Brasil Graduação será destinada a alunos com melhor aproveitamento e terá duração de um ano (sendo seis a nove meses cumpridos no meio acadêmico e o restante em empresas ou centros de pesquisa e desenvolvimento no exterior). A Bolsa Brasil Jovem Cientistas, com duração de três anos, é destinada a pesquisadores em início de carreira (doutorandos) que tenham produção científica destacada.

Também terão bolsas os especialistas e engenheiros empregados na iniciativa privada ou instituições de pesquisa tecnológica que tenham sido aceitos nas melhores universidades do mundo para treinamento de até 12 meses. Além dessas bolsas haverá modalidades para estrangeiros e, especialmente, brasileiros radicados no exterior que queiram ser pesquisador visitante especial no Brasil durante três anos e recebam estudantes e pesquisadores brasileiros no seu laboratório no exterior.

Fonte: MCT/ Divulgação